OS EFEITOS DA FÉ FIRMADA EM CRISTO

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.”(Romanos 5.1-5).

O capítulo cinco da Epístola de Paulo aos Romanos é o ponto central de entendimento para todo o conteúdo da carta, pois ele trata com proeminência os efeitos da fé firmada na pessoa do Senhor Jesus. Para que possamos compreender melhor o texto como um todo, é importante observar o que  ele tinha acabado de fazer, no capítulo 4, uma exposição da doutrina da justificação pelo meio da fé, enfocando as oposições e argumentos que poderiam ser apresentados contra ela. O apóstolo deixa claro que essa mensagem deve ser proclamada a todos.
No capítulo 5, que é o nosso foco,  vemos as consequências ou resultados que acompanham a justificação. Essa justificação é o ato jurídico em que Deus, como juiz, declara justo o pecador pelos méritos de Cristo apenas. E simultaneamente com a justificação, ocorre a implantação da nova vida pelo Espírito Santo, que provoca mudanças e impulsos renovados para a santificação. Essa obra do Espírito, que acompanha a justificação, não é passageira, mas é permanente nos eleitos que foram justificados. O próprio apóstolo Paulo é exemplo do fato de Deus nos aceitar pela fé. Ele foi perseguidor da fé cristã e, nessa condição, Deus o chamou, transformou a sua vida e o aceitou como Seu filho (cf Atos 9). É exatamente sobre isso que Paulo fala em nosso texto (Romanos 5.1-5).Observemos alguns pontos para a nossa reflexão:
 A paz com Deus (v.1)
A Bíblia é muito clara quando diz que todos os homens são pecadores e que não há ninguém capaz de se justificar diante de Deus. E, para que ninguém tente se justificar pelas suas obras, ela aponta para Abraão que foi aceito por Deus não por suas obras, mas pela fé (cap. 4). Quando Paulo fala da paz com Deus, ele não está se referindo ao sossego e a viver sem problemas, mas está falando da paz, em contraposição à inimizade. Os seres humanos, por natureza, vivem em inimizade contra Deus (cf Rm 5.10). A reconciliação é algo que Deus fez mediante a morte de Cristo, e nós a recebemos pela Graça. Paulo faz menção a esse assunto escrevendo aos coríntios onde nos diz que Deus “nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo… (2Co 5.18).  A paz com Deus inclui tudo o que o Senhor, com o seu amor que perdoa e reconcilia, pode dar ao que nEle crê.
O pleno acesso a Graça de Deus (v.2)
Aqueles que viviam em inimizade com Deus, não são apenas perdoados no sentido de que a sua merecida punição foi cancelada. São também colocados num lugar em que desfrutam da misericórdia e do amor de Deus. Por causa da Pessoa e obra de Cristo, eles entraram neste estado de graça. O acesso a esse estado de Graça – ou seja, o estado de justificação – implica confiante acesso ao Pai (Ef 2.8; 3.12) e a seu trono da graça (Hb 4.16). É estar em pé diante dEle, livres do sentimento de culpa e da condenação impostos pelo pecado.
No verso 2 o apóstolo Paulo fala da glória de Deus que é manifesta a nós, o Seu povo. Note que Adão participava da glória de Deus, pois ele foi criado à imagem e semelhança de Deus, assim como nós. O pecado nos destituiu da glória de Deus (cf Rm 3.23). Porém, a obra redentora de Cristo, que nos reconciliou com o Pai, nos tornou novas criaturas (cf 2Co 5.17). Enquanto vivemos aqui nesse mundo, por causa da presença do pecado, o deleite desta glória ainda é incompleto. Porém, nos “novos céus e na nova terra”, esta glória será total e completa (cf Is 65.17; 2Pe 3.13).
A esperança da vitória por meio de Cristo (v.3-6)
Esses sofrimentos, no entanto, nos dão a certeza de pertencermos a Cristo e nos fortificam na esperança da glória. Por isso, no verso 3 Paulo afirma que “… nos gloriamos nas próprias tribulações. O caminho que conduz à glória do céu não é fácil como alguns pregam. Enfrentamos muitas dificuldades em nossa vida, mas aquele futuro e aquela glória nos estão assegurados. A nossa confiança, esperança e alegria não nascem de uma vida cômoda, sem dificuldades. Ao contrário, são vividas no meio das adversidades. Somos cidadãos do céu, sim, mas vivendo na terra, enfrentando batalhas, onde as forças do mal e da destruição atacam perigosamente (Ef 6.12). Todavia, permanecemos firmes, sem esmorecer, e alegramo-nos no fato de saber que Cristo venceu todos os nossos inimigos e que Deus governa toda a história e nada poderá nos roubar o prêmio da vida eterna.
Nos versículos 3b e 4, termos: “A tribulação produz perseverança e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Na medida em que confiamos em Deus, nos entregamos aos seus cuidados, a cada passo que damos, a cada decisão tomada, a cada situação de vida, experimentamos a segurança da presença e do amor de Deus, que não nos desampara, e essa experiência reforça a nossa esperança. Esperança que não é mero esperar por dias melhores, mas a segurança de que, haja o que houver, Deus está conosco e nos guia pelo caminho certo até o fim, em seu reino da glória. Já dizia o apóstolo Paulo: “… aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4.11). O verso 5 nos diz que esperança não confunde”, ou seja, “não nos deixa decepciona”, pois a esperança cristã não é ilusória e passageira.
A nossa esperança não é baseada em sentimentos, qualidades ou boas ações humanas, mas está firmemente fundamentada no amor de Deus que é fiel, verdadeiro e não engana. O amor revelado em Jesus Cristo e derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, a presença e habitação dEle em nós, criando e mantendo a fé, nos assegura de que Deus é fiel e cumpre as suas promessas de que nós não seremos decepcionados no dia da vinda de Cristo. Portanto, desfrutemos os resultados da bênção de servir a Cristo, pois essas dádivas não se limitam apenas a esta vida, mas por toda eternidade.
Por Rev. Ronaldo P. Mendes

 

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