OS DOIS FILHOS E A VINHA

 “28 E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha. 29 Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. 30 Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. 31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus. 32 Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.” (Mateus 21.28-32)

O texto acima está ligado aos versos 23-27 anteriores. Na ocasião Jesus estava ensinando seus discípulos no alpendre (ou “pórticos”) do Templo de Jerusalém (v.23), quando chegaram os fariseus que queriam tirar a autoridade dos ensinamentos de Jesus. Opunham-se ao ministério dele. Mas o Mestre na Sua sabedoria usava de parábolas para comunicar suas verdades. Aqui ele quer comunicar uma lição de fé, de humildade e obediência. Ele deixa claro duas atitudes. Uma cheia de orgulho misturada com uma pretensa fé sem obras. E a outra de obediência com arrependimento. Uma representada pelos fariseus, a religião estabelecida e hipócrita da época de Jesus e a outra pelos publicanos e meretrizes, pecadores que se arrependeram e creram em Cristo.

Vemos neste texto que o Senhor tem uma vinha (v.28), um trabalho! E o Senhor convoca Seus filhos para esse trabalho. E esse serviço deve ser honra e glória para nós. Porém, conforme a Parábola há duas formas de atender ao chamado de Deus.  Uma aprovada por Deus e a outra rejeitada por Ele. 
O primeiro respondeu sim e não foi (v. 28-29)
Esse filho pertencia à família da fé (v.28) – Cumpria seus ritos religiosos. Não faltava a um culto. Estava presente em todas as programações da igreja. Poderia ser descrito como um “piedoso conforme a lei” (cf At 22.12). Era envolvido com a casa do Pai. Aos olhos da sociedade era um crente fiel. Mas não era!
Disse sim, mas não foi (v.29) – De forma hipócrita ele diz: Sim Senhor, eu vou!  São aqueles que estão envolvidos na igreja como os fariseus. São aqueles que estão na igreja, mas não estão na obra do Senhor. O seu coração não está na obra. Aparentemente estão dispostos a trabalhar, mas não fazem nada. Estes estão preocupados consigo mesmos, preocupados com seus ideais e propósitos. Mateus narra o que Jesus disse em outro contexto: “Nem todo que diz Senhor, Senhor”(cf Mt 7.21). Veja que o filho da parábola diz “sim Senhor”(v.29). Não adianta confissão da boca pra fora, Deus quer obediência. Jesus disse aos seus discípulos: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.”(Jo 15.14). Dizer que é amigo de Deus, ama a Deus e não fazer o que ele manda não adianta. “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Lc 6.46). E Jesus segue dizendo no texto de Lucas que aquele que não obedece está construindo sua casa sobre a areia, a qual com certeza, na primeira provação não vai suportar (cf Lc 6.49). Deus quer que nos envolvamos com sua obra, que trabalhemos na Sua vinha.

Lições:
1 – Deus não manda pessoas estranhas para a sua seara, Ele manda filhos.
2 – Nem todo aquele que diz “Senhor”, é de fato filho do Senhor.
3 – A ordem de ir é para todos, não somente para os presbíteros ou pastores.
4 – A hipocrisia religiosa será desmascarada pelo Senhor!
No texto, ainda vemos:
O segundo disse não, mas foi (v. 30-32)

       Ele disse não (v.30a) – “Não quero”! Esta é uma resposta grave, ela vem de um coração soberbo que desmerece ao Senhor da glória. Aqueles que sabem qual é a vontade de Deus e não faz estão cometendo um grave pecado. Aqueles que estão sempre preparados para se justificar o porquê não querem trabalhar, estão em pecado. Jonas não quis fazer a vontade de Deus e sofreu as consequências (cf Jn 1 – 3). 
Ele era diferente (v.30b) – “depois arrependido” – Esse arrependimento não é a glória do pecador, mas a graça de Deus. É Ele que concede este dom maravilhoso ao homem. O arrependimento é a chave deste texto. A proclamação do Evangelho é o arrependimento. Jesus está ensinando para os fariseus, que João veio, mas eles não creram, recusaram a graça do arrependimento (v.31-32).
O coração duro (v.32) – O texto diz “… porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes…” – Os fariseus tinham visto a mensagem de João Batista falando sobre a necessidade de arrependimento (cf Mt 3.1-2) e o ensino de Jesus, mas não se arrependeram. É afronta a Deus quando falamos não quero trabalhar, mas o pior é dizer: não quero me arrepender!
Às vezes, por termos pecados no coração, falamos que não queremos ir para a obra. Mas Deus concede o perdão. Então se arrependa e vá trabalhar, assim como fez o segundo filho da parábola.

Lições: 

        1 – O arrependimento é a chave para toda a obra do Senhor
      2 –  Às vezes somos levados pelos nossos sentimentos egoístas, mas o nosso objetivo é fazer a vontade de Deus.
      3 – Cuidado para não agir como os fariseus que rejeitaram o arrependimento e não creram e eram hipócritas.


Os dois Filhos  – De que lado você está?  Qual dos filhos você é? “Sim eu vou” e não foi? , nem quer ir nem vai? Então a sua profissão de fé é mentirosa! Tiago diz que a fé sem das obras é morta (cf Tg 2.26). Não é pelas obras, mas pela graça a qual nos leva a produzir frutos. Ou talvez você esteja triste porque tem falado “não quero” para o Senhor. Mas ele perdoa. Dobre seus joelhos diante do Senhor e peça perdão, “vista novamente a camisa do cristianismo” e venha trabalhar: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.”(Pv 28.13).   

 Por Rev. Ronaldo P Mendes

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