O que quer dizer Solus Christus?

Solus Christus, é um dos cinco solas propostos pelos reformistas para resumir as crenças fundamentais do Cristianismo. Esta expressão latina refere-se ao termo: “salvação somente por Cristo”. Ele é o salvador dos homens, o único caminho que nos leva a Deus. Qualquer outro tipo de mediação entre Deus e os homens que não seja por Jesus é invenção de mentes contaminadas pelo erro.

A reforma Protestante do século XVI

Durante muito, os primeiros cristãos foram perseguidos e até mortos por causa de Cristo. A situação mudou quando o imperador romano Constantino, 313 d.C., institui uma série de benefícios ao Cristianismo, tais como: isento de impostos, terras, pagamento dos bispos e ajuda na construção de templos. Poder e dinheiro passaram a influenciar a vida da Igreja, que, em 392 d.C., se fundiu com o Estado, tornando-se a mesma coisa.

Com isso, muitos passaram a fazer parte da “nova religião”, não por convicção e fé, mas por favores e benefícios. Aquela vida comunitária, aquele amor cristão, o partir o pão de casa em casa e o socorrer aos necessitados viraram práticas do passado. O Cristianismo começou a decair moralmente, e seus fiéis não corresponderem à Palavra e à vontade de Deus.

Na Idade Média, quem mandava na Igreja era o Papa. Naquela época, ele tinha plenos poderes para instituir e derrubar reis e reinos: A igreja passou de perseguida a perseguidora, e muitos sofreram nas mãos dessa “Igreja Cristã”. Foi criado o “clero”, que era uma liderança muito mais política que espiritual, e mantinha uma distância enorme do povo. O clero não parecia de forma alguma com o grupo dos
apóstolos, que viviam em meio ao povo.

Veja alguns erros que a Igreja cometeu:

380 d.C. – Oração pelos mortos
535 d.C. – Instituição das procissões
538 d.C. – Celebração da missa de costa para o povo
757 d.C. – Adoração de imagens
884 d.C. – Canonização de santos
885 d.C. – Adoração da “Virgem Maria”
1022 d.C. – Legalização da penitência por dinheiro
1059 d.C. – Aceitação da transubstanciação dos elementos da Ceia (acreditar que o pão e o vinho se transformam verdadeiramente no corpo e sangue de Cristo, de forma tal, que embora pareça pão e vinho,o que você está comendo e bebendo é o próprio e real corpo e sangue de Jesus).
1215 d.C. – Adoção da confissão auricular
1470 d.C. – Invento do rosário (Doutrina distintiva da Teologia Reformada 3ª Ed.pg 59-60)

A necessidade urgente de uma Reforma

A Igreja no período da Reforma Protestante – buscou-se consertar o que estava errado, voltar à Palavra de Deus. A igreja precisava ser restaurada no reto caminho e abandonar os desvios que havia tomado. Assim, no século XIV, começa surgir algumas Idéias pré-refomadoras. O inglês John Wycliffe, considerado como precursor da Reforma Protestante, levantou diversos questionamentos sobre questões controversas que envolviam o Cristianismo, mais precisamente a Igreja Católica Romana. Entre outras idéias, Wycliffe queria o retorno da Igreja à primitiva pobreza dos tempos dos evangelistas, algo que, na sua visão, era incompatível com o poder político do papa e dos cardeais, e que o poder da Igreja devia ser limitado às questões espirituais, sendo o poder político exercido pelo Estado, representado pelo rei. Contrário à rígida hierarquia eclesiástica, Wycliffe defendia a pobreza dos padres e os organizou em grupos. Estes padres foram conhecidos como “loardos”. Mais tarde, surgiu outra figura importante deste período: Jon Hus. Este pensador tcheco iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de Wycliffe. Seus seguidores ficaram conhecidos como Hussitas.
Então no século XVI, um monge alemão chamado Martinho Lutero, tocado pela pela Palavra de Deus, abraça as idéias dos pré-reformadores. Com isso publica as suas 95 teses, que eram (e são) um protesto contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Assim, em 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante.
Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas (“Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria”).
Sola scriptura“Somente a Escritura” é a suprema autoridade em matéria de vida e doutrina; só ela é o árbitro de todas as controvérsias (= a supremacia das Escrituras). Ela é a norma normanda (“norma determinante”) e não a norma normata (“norma determinada”) para todas as decisões de fé e vida.
Sola Cratia –”Graça somente“, a ênfase se dava em razão da doutrina católica vigente de que as boas obras ajudariam na salvação do homem. A posição reformada é a de que a salvação é inteiramente condicionada a ação da graça de Deus, ou seja, só a graça através da regeneração unicamente promovida pelo Espírito Santo, em conjunto com a obra redentora de Jesus Cristo. “…pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8-9)

Sola Fide –“por fé somente”, também conhecida, historicamente, como Doutrina da justificação pela Fé, é a Doutrina que distingue os Protestantes da Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa e outras.

Solus Christus“Somente Cristo”- Isso significa que a salvação é somente por Jesus Cristo. “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1ª Timóteo 2.5) – “Aprouve a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e salvador da igreja, o herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe, desde toda a eternidade, um povo para ser sua semente, e para, no tempo devido, ser ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado” (A confissão de Fé de Westminster )
Soli Deo Gloria“Glória somente a Deus” – É o princípio segundo o qual toda a glória é devida a Deus por si só, uma vez que salvação é efetuada exclusivamente através de sua vontade e ação. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16). “Pregar a Escritura é pregar a Cristo; pregar à Cristo é pregar a cruz; pregar a cruz é pregar a graça; pregar a graça é pregar a justificação o; pregar a justificação é atribuir o todo da salvação à glória de Deus e responder a essa Boa Nova em grata obediência por meio de nossa vocação no mundo.” (Michael Horton – Reforma Hoje)
Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, e estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contra-Reforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento.
O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o Protestantismo. Essa Reforma foi marcada por homens que decidiram seguir a Cristo, que fizeram de sua vida um testemunho do que Deus pode fazer na vida de qualquer um de nós. Devemos estar dispostos a, assim como aqueles homens, defender as doutrinas principais da Bíblia e proclamá-la em alto e bom som.
Que Deus nos conceda coragem e ousadia para proclamarmos a verdade de sua Palavra a esse mundo que está caminhando em meio às trevas.
Preguemos Solus Christus, (somente Cristo)!
Por Rev. Ronaldo P Mendes

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