O FALSO CONCEITO SOBRE O REINO DE CRISTO

Quando lemos o texto do evangelho de Marcos 10.35-45, encontramos o contexto da viagem final de Jesus para a Judéia e Jerusalém após concluir seu ministério na Galiléia.  Nessa viagem houve grandes ensinamentos de Cristo sobre vários temas essenciais na vida do crente como o divórcio (10.1-12), o jovem rico (10.17-22), o perigo das riquezas (10.23-31), Cristo alerta os discípulos do que estava perto para acontecer, a sua morte e ressurreição (10.32-34). E os versos 35-45 temos o pedido dos irmãos Tiago e João. Eles queriam um lugar de destaque no reino de Cristo. Interessante é que em Mateus, quem se apresenta a Jesus é a mãe deles (cf Mt 20.20). Isso nos mostra que não era apenas os discípulos, mas toda família estava envolvida. No entanto, o pedido que fizeram mostra como tinham a visão equivocada sobre Reino de Cristo.

Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir. E ele lhes perguntou: Que quereis que vos faça? Responderam-lhe: Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda.”(10.35-37).   Os discípulos ainda não tinham entendido a lição preciosa de Jesus “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos.”(Mc 9.35). Veja a reação dos dez discípulos diante desse pedido: “Ouvindo isto, indignaram-se os dez contra Tiago e João.” (v.41). É bem possível que essa indignação não foi pelo fato de Tiago e João terem falhado em por em prática o ensino de Jesus, mas porque queriam esses lugares de destaque. Então Jesus deseja eliminar os desejos de poder e autoridade de todos.

“… Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda. (Mc 10.37).  O Reino de Jesus na terra é o cumprimento do plano de Deus para a história, e que foi anunciado pelos profetas do Antigo Testamento (cf Is 2.1-4; 9.6-7; Jr 23.5-6).  Um Reino “já”, mas “ainda não”. Ou seja, um reino presente (no ministério de Cristo e sua Igreja), e a consumação que virá na Segunda vinda do Senhor (cf 2Pe 3.13). Quanto a isso John Stott chamou de “reino inaugurado e o reino consumado”(livro: Ouça o Espírito ouça o mundo). No entanto, uma das características daqueles que pertencem a esse Reino é a de ser como uma criança (Mc 9.37, cf  Mt 18.2-4). Não quer dizer que as crianças sejam puras sem pecados, mas elas são dependentes de outros e, voluntariamente, aceitam deles aquilo que não podem obter sozinhas. Isso significa que nesse Reino ninguém é autossuficiente. Outra característica daquele que pertence ao Reino de Cristo é que ele deve ser “servo de todos” (Mc 9.35). No reino de Deus não existe maior ou menor. Todos são iguais, todos somos servos (Gl 5.13), até Jesus se fez servo (Fp 2.5-8). O reino de Deus é composto por pessoas transformadas em servos humildes que procuram se humilhar e não se exaltar (cf Jo 3.30).

Qual era a visão dos discípulos? A Palavra grega para “Senhor” (Kurius) era usada para referir-se ao imperador. Dizer que Jesus era o  Senhor, era o mesmo que dizer que ele iria reinar no lugar do imperador.  Isso gerava perseguição e má compreensão do Reino de Deus na época.  Outro ponto importante é que os discípulos, como todos, desejavam serem livres do reino opressor (Roma). Assim eles pedem a Cristo para que os coloque um a direita outro a esquerda quando Cristo estivesse na Sua “glória” (v.37). Na Bíblia linguagem de Hoje traduz como “Reino glorioso”. No entanto, a visão dos discípulos não era reino celestial, mas terreno.

Os discípulos ainda não tinham entendido a realidade do Reino de Deus. Eles demonstraram ambições políticas. Achavam que Cristo, o (Kurius) iria para Jerusalém para tomar o poder e se tornar Rei de Israel. Sentar-se no trono de Davi literalmente. Assim sendo, pensavam que governariam sobre todo o povo com Ele.  Por isso Jesus os repreende usando o exemplo dos governadores e líderes do povo, Ele demonstra que não veio ser um deles (v.42). A missão de Jesus vai além do domínio político. Jesus se coloca como o “servo sofredor” (cf Is 53). Por isso os discípulos não poderiam tomar parte naquele momento (cf Mc 10.38-39).

Jesus como servo deixa claro que há áreas que só o Pai tem autoridade (v.40, cf 13.32). Só ele, Deus, pode colocar alguém a direita e esquerda de Cristo. A falta de compreensão do Reino cega também a compreensão do poder e autoridade de Deus.

Você tem o verdadeiro conhecimento do Reino de Deus? Será que o seu coração não está desejoso apenas por coisas materiais? Será que não almeja poder e glória desse mundo? Jesus disse que: “… onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”(Mt 6.21). Devemos tomar cuidado com todo sentimento egoísta do nosso coração. Precisamos viver um cristianismo com humildade diante de Deus, e nos colocar como servos do Senhor e do nosso irmão. Devemos pensar mais no próximo, evidenciando os frutos do Espírito Santo em nossa vida (cf Gl 5.22-23). O servo não deve buscar holofotes, mas dizer assim como João Batista: “Convém que ele cresça e que eu diminua.”(Jo 3.30). Essas são características daqueles que pertencem ao Reino de Cristo. Amém!

Por Rev. Ronaldo P. Mendes

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