COMO O CRENTE DEVE SE COMPORTAR NOS TEMPOS DIFÍCEIS?

“Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida.”(Habacuque 1.2-4)
Habacuque significa “abraço”, “abraçar”. De fato, isso diz muito porque ele “abraçou” a causa do seu povo e “abraçou” a Deus. Ele passou por momentos difíceis. Viveu numa das épocas mais conturbadas da história de Israel. Ele enfrentou a violência e a injustiça do rei Jeoaquim (609-597 a.C ver Jer 22.13-18), bem como o ataque cruel do império da Babilônia (que hoje é o Iraque). Temida por causa das atrocidades de seu exército, havia vencido os assírios e se preparava para atracar Israel (ler Hc 1.6). Internamente, Israel vivia um tempo de declínio espiritual e moral. Imperavam a violência, a iniquidade, a opressão e a injustiça (1. 1-4). Nessa fase o povo estava longe de Deus e chegavam até a praticar a idolatria (ler Hc 1.2-5).
Habacuque sofria duplamente, pois via a falta de temor em seus compatriotas e o Senhor lhe revelava que era irreversível a invasão por parte dos babilônios (Hc 1. 6-8) e o cativeiro. Que de fato aconteceu em 586 a.C quando o exército babilônico cercou Jerusalém. Depois de uns tempos, tomaram a cidade, prenderam o rei Zedequias, furaram-lhe os olhos, incendiaram o templo e queimaram as edificações mais importantes, fizeram de seus líderes e habitantes prisioneiros, que foram levados ao cativeiro (cf Jr 52. 4-30 e 2Rs 25. 1-10).
O livro de Habacuque é diferente dos demais livros dos profetas em seu estilo literário, pois em momento algum há profeciascontra esta ou aquela nação ou pessoa em particular, porém o que se pode ver é um diálogo entre o profeta e Deus. Diante da injustiça do povo ele clama a Deus “Até quando Senhor?” (1.2), “Por que?” (1.3). Esse tom não é de afronta a Deus, mas de lamento. Habacuque lembra muito Lamentações de Jeremias. Em todas as perguntas o Senhor dá as respostas para Habacuque. Ele é desafiado para uma vida de fé que vai levá-lo ao longo do período entre profecia e cumprimento: “O justo viverá pela sua fé” (2.4).   
Embora Habacuque esteja longe de mais de 2500 anos, sua mensagem é muito atual. Nós vivemos em tempos difíceis! A política é um caos, onde governantes são corruptos e não tem compaixão do povo, preços abusivos, imoralidade estampada em todos os lugares; estamos vivendo em meio a falsos profetas que exploram a fé do povo e temos guerra e injustiça por todo lado. O que fazer? Qual a atitude de um crente fiel diante disso tudo? O nosso contexto não é diferente do contexto de Habacuque. Mas o que ele aprendeu e que precisamos aprender?
Mesmo em meio aos “tempos difíceis”, Habacuque conseguiu experimentar a vitória.
Vamos aprender como o povo de Deus deve se comportar em meio às dificuldades e sair vencedor. Conforme Habacuque, nos tempos de crises:

Não podemos nos conformar com o a situação (Hc 1.2-3)
Habacuque não poderia cruzar os braços diante da situação. Ele não se contentava em ser o pregador, ele precisava também ser o intercessor.  Não basta apenas constatar que existe uma crise. Precisamos descobrir as causas que a geraram. Essa insatisfação diante dos tempos difíceis fez Davi questionar: “Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo?”(Sl 13.1-2). O pastor batista Martin Luther King, um dos líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos em 1955 disse:O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” O crente não pode se calar.  O profeta Habacuque não se calou, mas essa tarefa não era fácil. Ele via essa função como uma “sentença” (1.1), no Hebraico significa “peso”, “fardo”. Ele deveria anunciar o pesado julgamento sobre a nação.
Nós também devemos ter uma atitude de não aceitar a situação e transformar a nossa mente como diz a Palavra de Deus: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”(Rm 12.2). Nem nossa postura deve ser conformada: “Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos… e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.” (Ef 4.17; 24). A vontade de Deus é boa perfeita e agradável. E nós que conhecemos essa vontade, temos que tomar atitude para mudar a situação.
Assim como Habacuque, nos tempos difíceis: “Não podemos nos conformar com o a situação”.  Como seria isso para nós? Temos que ser transformados a cada dia (Rm 12.1-2) – Começa na mente! Ensinar as pessoas (filhos) atitudes de justiça; e proclamar o juízo de Deus sobre a corrupção. 
DEVEMos NOS dedicar mais À ORAÇÃO (Hc 1.12-17) 
A oração constante de Habacuque – O profeta percebeu a urgência. A oração era como um grito (1.2). Ele sabia que se o povo continuasse naquela situação, seria então destruído. O profeta estava pedindo socorro ao Senhor. Habacuque orava, mas a resposta de Deus era demorada. Não é fácil lidar com a “demora de Deus”. Marta e Maria enviaram uma mensagem a Jesus informando-lhe da enfermidade de Lázaro, mas ao invés de Cristo ir imediatamente, como era esperado por elas, Ele demorou mais dois dias (cf Jo 11.6). Quando Jesus chegou a Betânia, Lázaro estava morto e sepultado havia quatro dias. Marta ficou engasgada com a demora de Jesus e expressou sua frustração (cf Jo 11.21). No entanto, o melhor iria acontecer, a glória de Deus (Jo 11.40). Esse, na verdade, era o motivo da demora: a Glória de Deus!  A oração deve ser constante, pois nem sempre entendemos que as coisas acontecem para a glória de Deus.
Perseverando com fé (2.1-4) – A oração deve fazer parte de nossas vidas. Porém, em tempos difíceis o nosso clamor deve ser muito maior. Não podemos nos contentar apenas com os recursos humanos para alcançarmos a solução. A ação sem a oração pode resultar em frustração. Deus ouve dos céus orações com ações corretas, como “humilhação” e “arrependimento” (cf  II Cr 7.14). Buscar a Deus é um grande recurso, que precisamos usar. Uma vida de oração é uma vida de fé (Hc 2.1-4) – Nas dificuldades não podemos nos entregar ao desespero nem à incredulidade. Habacuque prevaleceu firme na oração e Deus o ouviu (cf 2.1-2). Assim como o salmista: “Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.” (Sl 40.1). A oração deve ser caracterizada pela fé na ação de Deus, pois o justo vive pela fé (cf Hc 2.4).
Não bastam apenas orações costumeiras, precisamos às vezes de súplicas diante do Senhor. A nossa oração pode muito por sua eficácia (cf Tg 5.16). Mesmo quando pareça que está demorando a reposta, precisamos confiar e entender que tudo é para a glória de Deus. Precisamos clamar ao Senhor com fé, pois nossa nação está em ruínas! Perto de receber de Deus o justo castigo.
Confiar em Deus e não se desesperar (Hc 3.16-19)    
Em meio às crises, Habacuque não se desesperou, ele queria respostas, mas não se revoltou. Ele não se distanciou do Senhor e não se queixou de Deus.  É claro que o profeta se sentiu abalado (v.16). Mas o seu sentimento era como o do Salmista: “Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei muito abalado.”(Sl 62.2). A tribulação não destrói o crente. Tanto o Salmista, quando Habacuque, não se desesperaram diante da situação difícil. Eles dependiam de Deus e confiaram em sua proteção. Habacuque se queixa a Deus, se aproxima d’Ele e ora, declarando sua contínua dependência, consciente de que somente o Senhor seria capaz de sustentá-lo em meio às dificuldades. O profeta relembra os feitos maravilhosos de Deus no passado e isso o reanima (3.3-15). Os feitos de Deus no passado devem nos fazer depender mais dEle!
Quando tudo parece perdido, com Deus não está perdido (v.17-19). Diante do poder destruidor da Babilônia, Jerusalém seria esmagada. Quando Habacuque viu a situação difícil ele subiu até a torre de vigília pra orar (cf 2.1), lá ele mostra que depende totalmente de Deus. Quando os recursos da terra acabam, os celeiros do céu continuam abarrotados. O profeta confiava e dependia só do Senhor para o seu sustento (v.17). Deus daria a ele a alegria no coração, mesmo com as tribulações (v.18-19). O profeta confiava na soberania de Deus. A economia de Israel dependia da lavoura e rebanhos, se isso esgotasse, ele confiava no Senhor. Pois o sustento vem dEle! Quando ele olhou para a nação, destruição, quando olhou para dentro de si, medo, mas quando ele olhou pro Senhor, vitória!  
Na crise, nossa atitude deve ser a de nos aproximar de Deus e não de nos afastar d’Ele. Habacuque não se desesperou, permaneceu confiante na ação soberana de Deus. Mesmo que pareça tudo perdido, com Deus não está. Ele sempre traz alegria ao nosso coração. Obs: Em 539 a.C, ou seja, mais ou menos 50 anos depois, o império Medo-Persa destruiu e conquistou a Babilônia. O Senhor é Justo Juiz e ouviu a oração do profeta!
  
Como o crente deve se comportar nos tempos difíceis – Diferente do mundo, nós temos o Deus verdadeiro, assim:
Não podemos nos conformar com a situação – Chega de crente avestruz!
Dedicar mais a oração – Com fé, pois sem fé Deus não ouvi!
Depender totalmente do Senhor! – Mesmo que não haja fruto na videira!
Por Rev. Ronaldo P. Mendes

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